Nunca na história desse país, se viu um Facebook tão politizado! As frases de autoajuda, os gatinhos engraçados e o sertanejo deram lugar para as mais diferentes pautas. Na semana de estreia das hashtags no Face, o #partiu #academia inacreditavelmente perdeu o lugar nos trending topics para o #partiu #protesto.

Mas e sua marca? Como ela vai conversar no meio disso tudo? Você vai continuar postando sua pauta semanal como se nada tivesse acontecendo no planeta terra? E se parecer oportunismo? Afinal, você não demonstrou nenhum engajamento político antes.

Todas essas perguntas são relevantes e precisam ser pontuadas caso a caso.

Para ajudar nesse processo de decisão nada melhor do que observar o que os outros que saíram na frente já estão fazendo. Então, a seguir, você vai ver um apanhado de posts, de diferentes marcas e segmentos, que se posicionaram (ou apenas se apropriaram do tema) para conversar nas redes sociais.



V de Vinagre

Se tem um produto que ganhou a simpatia dos usuários nas redes sociais no meio dos protestos, foi o vinagre. Foram centenas de memes e cartazes sobre o condimento, depois que um repórter da Carta Capital foi preso portando essa "arma química".

Páginas relacionadas a saúde, bem-estar e culinária aproveitaram a oportunidade. Abaixo, post da campanha Amiga, Tô Levinha da empresa Alcachofra Aspen Pharma:

Link para o Post.


Por incrível que pareça, marcas grandes de vinagre, como o Vinagre Minhoto ou Vinagre Castelo, não utilizaram o tema nos posts das páginas. Já a página pequeninha do Vinagre Heinig não deixou a chance escapar:

#VdeVinagre


Brasil zil zil

A forma mais frequente de abordar o tema foram os posts que enalteceram o Brasil, o despertar do povo brasileiro e o espírito de mudança. Essa é uma forma mais branda de apoiar os manifestos: sem se comprometer, pois não afronta os que são contra as manifestações. As páginas que foram por esse caminho, não compraram o risco de serem taxadas como oportunistas pelos usuários. Abaixo o post da rede de hotéis Accor.


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Frases de efeito também estiveram bastante presentes. Veja, abaixo, o exemplo de uma operadora de viagens. Apesar da frase servir como motivação para os manifestantes, ela também se adequa a atividade fim da empresa:

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Um dos posts que mais me identifiquei foi com o da agência digital pernambucana 4u. A publicação mostrou o apoio da marca tanto às manifestações quanto à seleção canarinho. São os mesmos sentimentos que eu tenho, só não compartilhei na minha timeline porque o meu" horário de funcionamento" não mudou. :)

Link para o post original.


Apoio Explícito

Teve gente que deu um passo a frente e convocou os fãs da página para as ruas. Veja como o posicionamento da agência Fishy foi mais contundente que os anteriores:

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O restaurante do Dalí Cocina, também foi pelo mesmo caminho, e justificou o fechamento do estabelecimento com a convocação para os protestos. O prato do dia foi a bandeira nacional:

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O site de empregos vagas.com.br não sou chamou o povo para as ruas, como disse que iria junto. Olha só post #tamojuntos deles:

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Qual a sua pauta?

Os protestos espalhados pelo Brasil foram bastante plurais. A insatisfação com a situação geral do país motivou a maioria que estava nas ruas, mas até então não existe uma pauta única nos protestos. Cada um levou a sua reivindicação no seu cartaz , já a Dudalina apresentou a dela num post:

Link do post original.

Como quem está fazendo cobranças, em geral, precisa dar algo em troca, os fãs da página aproveitaram para questionar a marca se isso faria os preços das roupas reduzirem.

#vempranossapágina

A Spoleto abdicou de toda a sua programação dos posts e passou a publicar as reivindicações dos brasileiros. Foi uma das atuações mais radicais. Não encontrei nenhuma outra marca com presença nacional que tenha feito algo parecido.

Spoleto dedicou uma semana inteira da página para posts sobre os protestos

Até a foto de capa da página foi alterada para indicar as mudanças.

A página mergulhou de cover no clima dos protestos.


Antes da mudança de pauta da página, um post foi publicado para explicar o posicionamento da empresa:

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Apesar da grande maioria ter apoiado o posicionamento da marca e os posts publicados terem tido altos índices de interação, as críticas também foram muitas. Quem reclamou, chamou a atuação no Facebook de oportunismo. Porém, o fato interessante foi a participação dos funcionários da Spoleto nos posts. Alguns foram até os comentários justificar que eles realmente pensavam assim. Não pareceu orquestrado, foi tudo bem espontâneo:

Funcionários do Grupo apareceram nos comentários para defender a empresa.


Conteúdo útil

Um exemplo de marca que soube se apropriar da situação criando um conteúdo diferenciado foi o Instituto Candela. A publicação feita por essa escola de fotografia foi um dos poucos que trouxe informações úteis para os manifestantes. O mais relevante nesse case é que o post tem 100% de aderência com a missão da instituição: ensinar fotógrafos. E foi isso que eles fizeram:


Os post no Face antecipou o conteúdo que estava no blog.

Talvez, uma imagem ou infográfico que resumisse as 10 dicas do post tivesse viralizado um pouco mais. É claro que mesmo um infográfico deveria tentar levar os usuários para a informação completa no blog, como eles fizeram.


Protestos com trilha sonora

Outro exemplo legal que soube se apropriar da situação foi a Radio 90,9 FM que deu sugestões de músicas com tema relacionado aos protestos. Não tive como acompanhar, mas espero que as músicas sugeridas na página tenham entrado na programação.

Para sorte dos fãs, não foi sugerida a nova música de latino: Link para o post.



Porque rir é o melhor remédio

Algumas marcas aproveitaram o bom humor para abordar o tema dos protestos. Pra mim essa é uma das estratégias mais arriscadas que existem, principalmente se você for usar o "duplo sentido" (lições de Rafinha Bastos). O primeiro exemplo é a ironia do Peixe Urbano. Eu gostei, mas teria sido melhor se a oferta fosse real com o apoio de um supermercado, talvez.

Uma oferta real de vinagre você compraria? Link do post.


O cinema brasileiro também pegou carona no tema. Como o filme Minha Mãe é uma Peça é uma comédia, nada mais justo que o post fosse bem humorado. Esse foi um dos poucos posts em que os haters não apareceram para trolar e chamar a marca de "oportunista". Confira como foi:

Link do post.


Humor, mais uma pitada de indireta (do bem) e uma dose de merchan tem como resultado esse post aqui da Frontline Brasil:

Link do post.


Profissionais "Padrão FIFA"

A agência de comunicação Tengu não está recrutando árbitros nem jogadores de futebol, mas a nova vaga deles é para profissionais com "Padrão FIFA" de qualidade. O post é um excelente exemplo de uma marca que estava antenada sobre os protestos e soube condensar, com bom humor, alguns dos pedidos que apareceram. Pontos para o redator(a).

Link para o post.



Autoridades Dialogando

Apesar das diversas cenas de truculência da polícia registradas em manifestos em praticamente todas as cidades, a Brigada Militar de Caxias do Sul (RS) conseguiu ser um ponto fora da curva. A página do Facebook mostrou o posicionamento e atuação da entidade antes, durante e depois do protesto. A BM se mostrou aberta ao diálogo e não esqueceu de agradecer a postura dos manifestantes após a passeata.

Post 1 - Post 2 - Post 3


A página do Facebook da Prefeitura do Recife também se posicionou de maneira ímpar. Enquanto páginas de prefeituras de outras cidades não tocaram no assunto ou apenas relatavam o que estava sendo decidido offline, a página da capital pernambucana se abriu para ouvir. Veja a imagem que foi publicada como capa e ficou destacada e fixada no topo da página por alguns dias:

Cover da Prefeitura do Recife.


A publicação da Prefeitura da capital pernambucana ressalta a maturidade da página na mídia social. É comum as marcas fugirem desse tipo de publicação com a seguinte desculpa: "Pra quê postar isso? Só pra os usuários ficarem xingando e falando mal?". Mas precisamos lembrar que as redes sociais foram feitas para ouvir e não só para falar. Além disso, um post como esse, diminui os comentários negativos nos posts sobre outros assuntos, afinal foi direcionado um "local" para o usuário reclamar.


Além do Online

A loja Luana Davidsohn Cupcakes está localizada no caminho percorrido pelos percursos. O apoio da empresa aos manifestos ocorreu através da liberação do Wifi do estabelecimento para que os manifestantes que passassem pela região pudessem se conectar. O Facebook foi utilizado para espalhar a notícia. Pelo número de compartilhamentos, funcionou!
Link do post.
Ps.: Como não sou diretor de arte, nem designer, fiquei na dúvida se comentaria que o rapaz que segura o cartaz não tem cabeça, mas agora já comentei. =X

Patrocinadores da Copa

Sabemos que o estopim para o inicio dos manifestos foi o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus de São Paulo. Entretanto, o foco dos protestos se estendeu principalmente para a Copa (seja a do Mundo ou a das Confederações). Os patrocinadores do evento acabaram virando alvo também, por isso fiquei curioso para ver sobre o que eles estavam publicando.

Foto: Reprodução/Facebook/midiaNinja

Para a minha surpresa, nenhum dos patrocinadores comentou absolutamente nada sobre as críticas que estão recebendo nas páginas. Os posts continuam seguindo um planejamento que provavelmente foi feito antes do inicio da competição e que obviamente não previa os protestos.

"Torcedor que pinta o rosto merce ir pro estádio" (Coca-Cola) - No meio dos protestos, essa frase poderia ter sido um tiro no pé.


Não que eu esperasse um posicionamento de todas as páginas, mas os patrocinadores Itaú e a Liberty Seguros sempre apresentaram posts relacionados a mobilidade urbana, acessibilidade e outros temas sociais (como podemos ver nas imagens abaixo). Como os protestos também estão relacionados a esses temas, fiquei esperançoso em encontrar algum post em uma das duas páginas, mas não foi dessa vez.

Dois dos patrocinadores da Copa possuem ações diretamente ligadas à mobilidade.
Será que esse protesto também não é deles?


Nem curta, nem compartilhe

Lembre-se: sua marca não deve aderir ao movimento com o objetivo único de ganhar likes e shares. O engajamento precisa ser autêntico e estar alinhado com missão e posicionamento da marca. Por esse motivo, abomine os posts do tipo "Curta ou Compartilhe", por melhor que seja a intenção vai parecer oportunismo para ganhar likes.

Link para o post.


Faltou alguém?

Se você viu algum post interessante relacionado aos protestos, por favor deixe nos comentários. Vamos fazer desse post um repositório de cases interessantes para consultas futuras. Se o gigante acordou, outros protestos virão por ai, e esse post pode ajudar o despertar da sua marca.


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3 Responses so far.

  1. Unknown says:

    Oi gente, trabalho numa startup conhecida aqui no Rio de Janeiro e este foi o nosso posicionamento no periodo dos protestos

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=411300122323166&set=a.111336542319527.11843.100997210020127&type=1

    em outro momento tambem fizemos uma referencia oculta a agressao dos policiais aqui no rio de janeiro que aconteceu no dia 20
    https://www.facebook.com/ChefsClub.com.br/posts/412674665519045

    e usamos o instagram tambem
    http://instagram.com/p/ariQOoJSqo/

    Obrigada pelo post de vocês.. estava com mtas duvidas de como posicionar a marca, mas agora acho que agimos certo :)
    tks a lot!
    julia

  2. Oi, Julia.

    Muito obrigado por compartilhar seu case conosco. :)

    Gostei muito da forma como se colocaram aqui: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=411300122323166&set=a.111336542319527.11843.100997210020127&type=1

    Mostrou coerência e continuidade de um posicionamento que já existia.

  3. excelente o tema.. me deu uma visibilidade muito grande de observar sempre as atuações da sociedade.. Pois a sempre a diversidade cultural e comportamental.. GRATO!!!

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